terça-feira, 11 de novembro de 2008

TERROR a bordo


Lá estava eu, voando de Salvador a Brasília, numa bela manhã de sábado, quando fui obrigado – não mais que de repente – a botar meu esfíncter para trabalhar... Parece que o lanchinho do avião teve um efeito laxante imediato, muito mais poderoso que o TURRRRRBO LAX que eu tomava nas épocas de prisão de ventre.

- Tudo bem. Pensei eu, pois dentro de uns 30 minutos chegaríamos ao aeroporto de Brasília, onde eu teria tempo de sobra para me esvair num banheiro decente.

É que, segundo meu bilhete de viagem, eu deveria chegar a Brasília às 8h30min e só sairia de lá cerca de 40 minutos depois. Calculei que poderia ficar, sossegado, uns 25 minutos no banheiro, o que me renovaria as forças, fazendo de mim um novo homem.

Ocorre que, para minha ingrata surpresa, nosso vôo havia atrasado e, quando olhei no relógio percebi que apenas teria 10 minutos para fazer minha conexão de um vôo para outro. Resultado: tive que fortalecer os músculos de meu ventre, para segurar o trem que estava por chegar na estação cu... (perdão pela expressão).

Eu e a Dania corremos pelo tunelzinho que saía de nosso avião e entramos correndo pelo tunelzinho do outro (entenderam, certo? Não sei os termos técnicos) e sentamos na exata hora da decolagem (ufa!).

A correria me fez esquecer um pouco o trem... mas quando me recordei que só chegaria ao destino duas horas e meia depois, não teve jeito: decidi enfrentar o assombroso banheiro unissex do avião.

Ao me levantar de meu assento, todos os demais passageiros já me olharam com aquela certeza de que eu estaria “desarranjado”, e que iria demorar no banheiro. Incorporei um olhar altivo – como quem não estivesse nem aí para o que os outros pensassem – e dei largos passos em direção ao banheirinho.

- Puxa vida! Pensei... – Como esse avião é comprido!

Chegando lá, adentrei na salinha de tortura.

NOTA: Naquele momento estávamos voando há cerca de 10.000 metros de altura, a uma velocidade média de 800 km/h. Nunca tinha cagado a essa velocidade, eheheheh!

Tranquei-me devidamente, para não ser surpreendido por nenhuma comissária de bordo, o que me constrangeria muito, e comecei a ler as instruções do banheiro...

Saquei uma unidade do “papel protetor de assento sanitário”, colocando-a, cuidadosamente, no devido lugar. Sentei-me e comecei a tarefa.

Na verdade, confesso que não foi difícil botar o trem para fora, pois estava sob o efeito da dose dupla de laxante que a comissária de bordo colocou no meu suco de goiaba, só para ficar rindo de minha cara (aposto!)

Surpreendi-me com a quantidade de trem que meu corpo estava expelindo... enquanto isso, distraía-me lendo as instruções complementares do banheiro:

“...Por cortesia, sugerimos que use sua toalha de papel para limpar a pia, em respeito ao próximo usuário”

“...Deposite lenços de papel, toalhas de papel e absorventes higiênicos aqui”

“... NÃO DEPOSITE PAPEL HIGIÊNICO NESSE COMPARTIMENTO”

Aí pensei... em que misterioso lugar devo jogar o papel higiênico???

Enquanto fazia força, empenhei-me em procurar o lugar para depositar o produto da minha limpeza higiênica. Descobri que naquele raio de banheiro não havia outro compartimento senão uma pequena portinha para jogar lenços de papel etc, mas que NÃO SERVIA para jogar o papel higiênico.

De repente, notei a existência de um pequeno alto-falante, mais ou menos na altura de minha cabeça.  Não entendi o porquê desse equipamento. A resposta, para meu terror, veio em seguida:

“(pliiiiimmmm!) Senhores passageiros, aqui quem fala é o comandante. Solicitamos que todos afivelem seus cintos de segurança e coloquem seus bancos na posição vertical, pois adentraremos numa área de instabilidade que poderá gerar bastante turbulência”

Senti-me num cenário de filme de terror. Eu nem sabia que tinha claustrofobia, mas naquele momento, notei que estava num cubículo de 1x1,50m2, que mal permitia que eu me movesse...

Pensei: _ “onde está meu cinto de segurança??? O que eu vou fazer com o trem que não pára de vir???”

Sequer tive tempo de tirar alguma conclusão, e aquele outro trem (o avião), começou a balançar, chacoalhar, jogar de um lado para o outro, subir e descer... e eu com a bunda no vaso sanitário, sendo arremessado de um lado para o outro, tal qual a bolinha que tem dentro dos sprays de pintura...

Imediatamente, comecei a orar... senti-me abandonado por todos e numa situação pra lá de constragedora...

Mesmo antes de a turbulência acabar, resolvi limpar o bumbum... pois não tinha mais clima para fazer a “tarefa”.

Ok... limpei... o papel ficou desastrosamente sujo... e... ONDE JOGAR???

Como não encontrei outro lugar, pensei... “exploda-se” e depositei-o lá onde dizia para NÃO O FAZER...

Pensei – coitado de quem fizer a manutenção...

Mas logo depois de fazer isso, notei que, em linhas menores, e abaixo do texto principal, tinha um desenho, orientando para que eu jogasse essa caca dentro do próprio vaso...

Ok, ok... pensei... não é usual, mas ta escrito.

Fi-lo.

Tudo bem... limpei-me completamente... aos trancos e barrancos, por causa da turbulência.

Resolvi sair, me segurando, daquele calabouço.

Todos, no avião, estavam presos ao cinto de segurança, e me olhando como se eu fosse um sobrevivente heróico de uma explosão nuclear...

Isso daria um filme.

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